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12 MARÇO 2011
O compositor Eduardo Patriarca fala sobre o festival, a HFO e “Enso”
Para Eduardo Patriarca, ser compositor é “ser criador. É Organizar ideias e estrutura-las enquanto elementos sonoros”. Com um longo percurso musical onde “teve a sorte de encontrar excelentes criadores e pensadores, que foram fundamentais para a forma como organizo e estruturo tudo aquilo que fui desenvolvendo até aos dias de hoje”, o compositor salienta a importância que as “relações matemáticas e criativas que os fractais e a música espectral lhe foram mostrando”.
Preocupa-o a forma como “vemos o mundo, a forma como nos inserimos nas estruturas de interacção e de seres activos” e tenta imprimir esta preocupação ao som, que vê como sendo “um elemento único, estruturado em si mesmo. Com frequência associo este som a diversas propriedades, entre relações matemáticas, como os fractais, e as coincidências com filosofias de vida, como o Budismo”.
Sobre a obra encomendada pelo Harmos Festival, a peça “Enso” o autor explica que esta “traz para o elemento sonoro aquilo que a palavra que dá origem ao título transmite. Claro que não é possível expor todas as noções, mas a obra transmite a ideia de ciclo-circulo, conceito muito importante no meu trabalho, a noção de tempo e de alargamento dos materiais sonoros. Na prática toda a obra transmite uma meditação estruturada sobre um som de uma taça tibetana. Esse som enquanto elemento estrutural reparte-se em diferentes blocos que vão ganhando também diferentes importâncias ao longo da obra”. Confessando-se "radiante" com a estreia, acredita que a HFO - Harmos Festival Orchestra é um grupo “suficientemente empenhado para saber trabalhar em conjunto e trazer resultados surpreendentes”.
Para ele, o Harmos Festival “é o que faz sentido na lógica europeia. Se nos pretendemos ver como um dos elementos fundamentais da Europa, enquanto unidade económica e política, somos obrigados à integração artística. O festival serve para a percepção do nosso lugar no mundo musical, sabermos o que à nossa volta existe e darmos a conhecer a nossa existência”.